A TRIBUNA/Bolsonaro demite Ministro da Saúde Henrique Mandetta

Por Mateus Rodrigues, Gustavo Garcia e Sara Resend, G1 e TV Globo — Brasília

Pouco depois de receber do presidente Jair Bolsonaro a notícia de que estava demitido, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, fez um pronunciamento aos servidores no auditório do ministério no qual pediu apoio ao futuro ministro. Antes do encontro com Mandetta, Bolsonaro esteve com o oncologista Nelson Teich, anunciado mais tarde como novo ministro.

Mandetta foi demitido devido às divergências públicas com Bolsonaro sobre o método de enfrentamento da epidemia de coronavírus. Mandetta defende o isolamento social como forma de reduzir a velocidade da contaminação. Bolsonaro fala em isolar somente idosos e pessoas com doenças crônicas, permitindo o funcionamento do comércio sem as restrições às atividades econômicas determinadas por governadores.

“Trabalhem para o próximo ministro tal qual vocês trabalharam para mim. Ajudem, não meçam esforços. Se trabalhavam para mim numa zona de conforto, pela equipe já estar organizada, desdobrem-se para que eles tenham o melhor ambiente para trabalhar.”

Após agradecer nominalmente aos secretários e assessores que compunham a equipe, Mandetta pediu às equipes: “Não tenham medo”. Muitos dos citados pelo agora ex-ministro são servidores de carreira e, por isso, devem seguir na pasta na gestão de Nelson Teich.

“Não tenham medo. Não façam um milímetro diferente do que vocês sabem fazer. Eu deixo este Ministério da Saúde com muita gratidão ao presidente por ter-me nominado e ter permitido que eu nominasse cada um de vocês”, afirmou. “Não tenham uma visão única, não pensem dentro da caixinha. Às vezes isso é uma grande oportunidade, uma equipe que pensa diferente”, disse.

Mandetta voltou a defender que as políticas adotadas no ministério sejam norteadas pela “defesa intransigente da vida, defesa intransigente do SUS [Sistema Único de Saúde] e da ciência”.

“Foquem nos três pilares que desses pilares vocês conquistarão tudo, porque esses pilares alimentam a verdade. A ciência é a luz, o iluminismo. É dela que vamos sair.”

Segundo Mandetta, o encontro com Bolsonaro foi amistoso, e o presidente voltou a manifestar preocupação com os efeitos da epidemia sobre a economia.

“Foi uma conversa amistosa, agradável. Sei da dificuldade do peso da responsabilidade dele, do peso que é decidir em que momento a economia deve retomar a normalidade. O impacto disso nos empregos das pessoas. O presidente é humanista. Ele pensa nisso o tempo todo, no pós pandemia, e tenho certeza que deus vai iluminar para que ele possa tomar as melhores decisões”, declarou.

Saiba quem é Nelson Teich, novo ministro da Saúde

Nelson Teich — Foto: Reprodução
Teich foi indicado ao cargo nesta quinta-feira em substituição a Luiz Henrique Mandetta. Ele defendeu em artigo necessidade de isolamento social horizontal contra o coronavírus.

Indicado nesta quinta-feira (16) pelo presidente Jair Bolsonaro para o cargo de ministro da Saúde, em substituição a Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich defende a necessidade de isolamento social horizontal no combate ao coronavírus.

Em artigo publicado em 2 de abril em uma rede social, Teich fala na importância de medidas como o isolamento social, a testagem em massa e o uso de projeções matemáticas no enfrentamento da pandemia.

“Além do impacto no cuidado dos pacientes, o isolamento horizontal é uma estratégia que permite ganhar tempo para entender melhor a doença e para implantar medidas que permitam a retomada econômica do país”.

Em pronunciamento no Palácio do Planalto na tarde desta quinta, Teich afirmou que não haverá “definição brusca” sobre esse tema.

O presidente Jair Bolsonaro já defendeu publicamente o que chama de “isolamento vertical”, menos rigoroso por ser restrito a grupos de risco, como pessoas acima de 60 anos.

Em 24 de março, em outro artigo sobre o coronavírus, o médico destaca as dificuldades enfrentadas pelo gestor de saúde em meio à pandemia e cita pontos que devem ser considerados nas tomadas de decisão.

“Não me coloco aqui como alguém que defende um lado ou outro, na verdade é o oposto, não pode existir lado. O fundamental é analisar criticamente e de forma contínua a situação e as projeções, integrando continuadamente a nova informação na análise. A informação que chega a cada dia precisa ser complexa, detalhada e em tempo real. É necessário rever diariamente a realidade, os cenários, as projeções e as ações. Como comentado, projeções e posições radicais e emocionais só levam a mais confusão e problema”, diz.

Carreira

Teich foi responsável nos anos 1990 pela fundação do Centro de Oncologia Integrado (Grupo COI), onde atuou até 2018. Segundo o perfil dele em uma rede social, trabalhava como consultor em gestão de saúde.

De setembro do ano passado até janeiro deste ano, também de acordo com o perfil, Teich prestou orientações à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde, comandada por Denizar Vianna.

O novo ministro é formado em medicina pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Teich foi residente de Oncologia no Instituto Nacional do Câncer. Na sequência, focou sua formação na área de gestão da saúde, ao cursar um MBA na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um mestrado na Universidade de York (Reino Unido) voltados para o tema.

Em 2010 e 2011, ele prestou consultoria para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, também focada em gestão da saúde. Teich foi um dos sócios-fundadores do MDI Instituto de Educação e Pesquisa, onde foi sócio do atual secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde, Denizar Vianna.

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