Imprensa Finlandesa denuncia Stora Enso por grilagem de terras em Eunapolis

Veracel já foi acusada de agir como organização criminosa no Brasil, prejudicando posseiros e movimentos sociais.

A matéria foi publicada pelo site eunapolitano Futucando Noticias do Radialista e Blogueiro Jean Ramalho e repercutiu na mídia internacional.

A Jornalista Jessica Stolzman da TV Yle, que já esteve no Brasil registrando várias denúncias contra a multinacional Veracel, publicou na Finlândia uma matéria em que a Stora Enso, estaria ignorando a gravidade das denúncias e sendo conivente com as atitudes truculentas da Veracel que parece estar se vingando dos entrevistados que participaram de um documentário exibido em horário de grande audiência na Finlândia.

Assista ao documentário:

O documentário chamou a atenção dos finlandeses, suecos, de vários países ao mostrar os sofrimentos e humilhações dos agricultores que lutam contra a multinacional Veracel no Brasil, revelando os horrores e os bastidores de supostos crimes cometidos sem apresentar nenhuma documentação que garanta a multinacional o direito às terras que ela alega ser dona.

Veja abaixo trecho da matéria traduzida que pode ser acessada na versão original completa clicando aqui.

Vice-Professor Markus Kröger, HU
O pesquisador Markus Kröger passou longos períodos na Bahia quando pesquisou as disputas de mercado lá. Imagem: Yle

Para melhor compreensão, adicionaremos informações em vídeo e documentos do Futucando Notícias para ilustrar as informações.

Quando Svenska Yle entra em contato com a Stora Enso, Markus Mannström, que está na equipe de gerenciamento da Stora Enso e da Veracel, explica que eles montaram uma cerca na área das fazendas dos irmãos Pereira, para distinguir a terra que Geraldo Pereira ocupa das terras da empresa.

 Mas Geraldo Pereira imediatamente derrubou a cerca e impediu que as máquinas florestais da Veracel trabalhassem nas terras que ele diz serem invadidas pela Veracel.

Markus Mannström, Stora Enso

Markus Mannström, que é membro da equipe administrativa da Stora Enso e do conselho da Veracel, costuma visitar a Bahia. Foto: Taisto Lapila / Yle
 

Assim, a Stora Enso e a Veracel dizem serem donas das terras, assim como Geraldo Pereira que luta há anos contra o poder econômico da Veracel, porém, Geraldo apresenta documentos e recibos de pagamentos de impostos desde o final dos anos 70.

Mas quando Svenska Yle pede a Stora Enso para ver os documentos de propriedade, a empresa não os mostra para nós. A Stora Enso refere-se ao fato de que eles são públicos e finalmente declaram que podem ser solicitados ao cartório em Eunápolis, porém o documento que consta no cartório tem confrontantes distantes do local, fato que está sendo investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que teria encontrado graves erros na unificação, provocados pela Veracel que não apresentou assinatura de confrontantes das terras que são suspeitas de não serem vizinhas entre sí.Uma perícia foi solicitada e aguarda manifestação da Justiça.

O sueco Yle entrou em contato com o cartório em Eunápolis, mas ainda aguarda respostas.

Markus Kröger, que é professor associado da Universidade de Helsinque e pesquisa a documentação da propriedade da terra no sul da Bahia, não acredita que o cartório os emita.

– O cartório não emitiu documentos da Veracel para quase ninguém, apesar de serem, segundo a lei, públicos, diz Kröger.

Kröger não está surpreso que a Stora Enso não pareça querer mostrar os documentos.

– Os documentos disponíveis mostram que a terra da Veracel está a 22 quilômetros da terra de Geraldo Pereira. Com esses documentos, as empresas não podem reivindicar posse da terra de Geraldo Pereira. O número de série do documento também não pode ser encontrado no cadastro do estado, indicando que os documentos não são autênticos (fraudados).

Kröger diz que conhece casos em que os cartórios estão envolvidos e falsificou documentos. Por isso, eles não querem distribuí-los, porque se ficar claro que os documentos não podem ser encontrados no cadastro do estado da Bahia, então é a prova de que o documento não é genuíno, explica ele.

– As empresas se beneficiam do fato de que os pobres sem-terras, que não são alfabetizados nem têm condições de contratar um advogado, não conseguem verificar os documentos.

Geraldo Pereira não é um agricultor sem condições, tem vários funcionários em suas terras e conseguiu contratar um advogado em sua luta contra a Veracel para provar que suas terras foram invadidas.

Quanto aos guardas da Veracel que entraram recentemente nas terras de Geraldo Pereira, Kröger acha que é preocupante.

– Isso parece ser uma tática assustadora, diz Kröger.

Tradução: Jean Ramalho/google tradutor

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