Ao depor, policial acusa PM de executar delegado;”Mastique agonizou por 20 minutos”

CARLOS MASTIQUE (FOTO)COM UM TIRO NO PEITO,NA MADRUGADA DE DOMINGO PASSADO. NO ÁUDIO,OBTIDO COM EXCLUSIVIDADE PELO JORNAL A REGIÃO,O INVESTIGADOR DIZ QUE “AINDA TENTA SE REFAZER E APAGAR DA MEMÓRIA AS IMAGENS DO OCORRIDO”.

Ele conta que,por volta de 2h40 de sábado para domingo,ele e Mastique estavam na avenida Aziz Maron,centro de Itabuna,quando uma jovem pediu socorro para a amiga,que estava sendo agredida.Os dois foram ao local,onde encontraram seis pessoas.

O investigador conteve quatro delas,enquanto Mastique tentava contar o agressor da mulher.“Pedi que todos encostassem na parede,avisando que era polícia.O cidadão que estava agredindo permaneceu agredindo e o delegado Mastique se dirigiu a ele,contendo a agressão”.

O agressor foi identificado como um policial militar à paisana,por isso Mastique ligou para o 190 e pediu o apoio da PM.A viatura chegou rápido mas,ao invés de tomar conhecimento da agressão do PM, mandou o delegado e o investigador deitar no chão,numa abordagem usada para bandidos.

“O cabo da Polícia Militar,do 15º batalhão aproximou-se,tomou a pistola do delegado, que estava na cintura,e pediu que ele se afastasse”.Vendo a situação se agravar,o policial civil pegou sua identificação de policial e entregou a um PM.

Momento do homicídio

Neste momento ele diz que escutou o PM dizer “sai da frente soldado” e escutou o tiro.Ao se virar,viu o delegado Mastique no chão,baleado. “Olhei para os policiais e disse ‘olha a merda que vocês fizeram, atiraram em um delegado de polícia.Por favor,dê socorro a ele’”.

Eles mandaram que o policial deitasse no chão.“Eu resisti,eles tornaram a insistir.Sem alternativa,eu deitei e foi solicitado que entregasse minha arma.Eu disse que ela estava na cintura e eles teriam que retirar, porque eu não teria condições de fazê-lo”.”Neste momento,me foi dado voz de prisão e retiraram a pistola.Eu insisti que dessem socorro ao delegado,que estava morrendo.Me levantei,mesmo com eles dizendo para deitar novamente,e fui até o delegado,que ainda tinha pulsação”.O investigador pediu que socorressem o delegado,mas foi obrigado a deitar no chão de novo. Um tenente PM chegou ao local e perguntou quem ele era.“Disse que eu era um policial civil e que minha identificação já se encontrava com os policiais,e pedi que desse socorro ao delegado”.O PM alegou que já tinha pedido socorro,mas o investigador lembrou que o Samu iria demorar e pediu novamente para que levassem Mastique a um hospital.Depois de muita insistência,o delegado foi “arrastado pelas pernas pelos PMs”e colocado em uma viatura.

Suspeita na delegacia

Na delegacia,mais atitudes suspeitas,segundo o agente da polícia civil. “Nao fizeram minha apresentação e tentaram me manter dentro do veículo o tempo todo”.Ele conta que chamou um colega de Itabuna e pediu para que ele acompanhasse os PMs o tempo todo.“Queria evitar uma possível fraude,disparando a arma dele ou a do delegado para simular um confronto.Graças a Deus isso não aconteceu.Em nenhum momento me colocaram na ocorrência.Nem o PM à paisana nem as pessoas que estavam no local foram conduzidos para a delegacia”.O policial é taxativo sobre a ocorrẽncia:“Não vejo isso com uma ação policial desastrosa e sim como uma execução”.”O delegado tomou um tiro no peito esquerdo e eu fiquei ali, impossibilitado de fazer o revide da injusta agressão”.”A única coisa que nós temos são as câmeras de de vigilância. Pedi para o delegado que me deu apoio,juntamente com os policiais civis,que fossem buscar essas câmeras para que as imagens não desaparecessem”.A PM alega que foi ao local para separar uma briga e que, ao pedir a arma do delegado(ele ainda dentro do carro),ele teria feito menção de atirar.O jornal A Região observa que o depoimento gravado foi enviado por uma fonte e não é oficial.Para A Região,a SSP-BA deveria divulgar as imagens das câmeras de segurança,que podem mostrar qual é a versão verdadeira.

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